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A vida e obra de Óscar Bento Ribas
Óscar Bento Ribas nasceu em Luanda, Angola aos 17 de Agosto de 1909, filho Arnaldo Gonçalves Ribas, natural da Guarda, Portugal e de Maria Bento Faria, natural de Luanda, Angola. Foi casado com a Sra. Maria Cândida Camacho Ribas. Fez os seus estudos primários no Seminário Maior de Luanda. Estudou no Liceu Salvador Correia até ao 5º ano liceal que por problemas económicos não lhe foi possível terminar os estudos. E foi no seminário de Luanda que adquiriu alicerces no domínio da língua portuguesa e francesa o que permitiu o seu ingresso na função pública nos Serviços de Fazenda e Contabilidade onde trabalhou cerca de cinco anos nas províncias de Benguela e Novo Redondo. Após o falecimento de seu pai em 1937 Óscar Ribas fixou sua residência em Luanda, devido ao agravamento em parte de sua doença (Renite pigmentaria ocular) que, o levou a cegueira aos 36 anos de idade. Em 1964 conjuntamente com o Dr. Jorge Lapa médico Oftalmologista, criaram a 1º Instituto para o Ensino Especial para Deficientes visuais e Amblíopes na cidade de Luanda. Á 05 de Junho de 1983, Óscar Ribas antes de deixar Angola, dou ao governo angolano sua residência com todo seu espolio, como um legado de continuidade as investigações e recolha dos usos e costumes dos povos do seu país e não só e a criação da Casa Museu.
Historicamente falando, desde muito cedo, que se manifestou em Óscar Ribas o prurido das letras e assim, ainda aluno do seminário maior e com apenas 15 anos, esboçou o seu primeiro voo, compondo a novela “Nuvens Que Passam…” publicada em 1927. E foi aos 18 anos, num impulso mais amplo que escreveu a segunda novela – “O Resgate Duma Falta” editada em 1929.
Seguiu-se-lhe um intervalo de 19 anos sem exercitar a sua actividade literária, por motivos do agravamento da sua doença e só em 1948, que publicou o romance lírico “ Flores e Espinhos”, uma obra que foi bastante apreciada na classe média alta naquela época.
Com este romance Óscar Ribas encerrada a Iª fase da sua vida literária.
Na altura do lançamento do romance Flores e Espinhos, Óscar Ribas, foi aconselhado por um jornalista e crítico em literatura, a mudar seu estilo, pois já havia muitos no mercado literário. O referido Jornalista aconselhou-o a falar sobre a sua cultura e sobretudo as originarias de sua língua materna, segundo esse especialista Angola é um país potencialmente rico culturalmente com um mosaico muito diversificado e, é uma das mais lindas em África, e, foi assim que, Óscar Ribas se tornou um dos pioneiros na investigação e na recolha da literatura oral e etnográfica do nosso país.
Sua mãe, foi a primeira das 5 informantes femininas, sua esposa foi a última do grupo. E ao contrário de muitos, Óscar Ribas sempre teve o apoio e contribuição de seus irmãos Mário e Joaquim na concretização de suas obras.
Uanga – Feitiço (1951), romance folclórico foi e ainda é um grande sucesso á nível nacional e internacional. Vários contos foram adaptados para a encenação dramática e traduzidos em outras línguas tais como: inglês, mandarim e espanhol.
O título em kimbundu, foi como um prémio para os nativos que, se reviram nesta obra. Nela constam acontecimentos da vida real e fictícia, isso tornou a obra mais apreciada e vendida até hoje. Depois disso, surgiram outras não menos importantes tais como: Ecos da Minha Terra, Ilundo - Espíritos e Ritos Angolanos, a trilogia Misoso, Alimentação do Regionalismo Angolano, Sunguilando, Izomba, Quilanduquilo, etc..
A IIª fase termina com sua autobiografia “Tudo Isto Aconteceu” na terceira pessoa, editado em 1975. Onde o escritor conta os vários episódios que, retratam sua vida, de familiares e amigos.
Após sua ida a Portugal em 1983, devido á vários problemas conjunturais fundamentalmente de saúde e socioeconómico, Óscar Ribas, até 1989 dedicou-se apenas a revisão e actualização de suas obras mas em 1991 passa para a IIIª faz da sua carreira literária com novas ideias e sobretudo pelas mudanças políticas em Angola, Óscar Ribas muda seu estilo e num grande clássico é lançado em Portugal em 1991 a sua 1ª obra poética, “Cultuando as Musas posteriormente o Dicionário do Regionalismo Angolano e Temas Angolanos e Suas Incidências”.
Antes de seu falecimento á 19 de Junho de 2004, no Lar de Terceira Idade em Estoril-Lisboa, estava em preparação a sua auto-bibliografia com o título “Eu e Minha Vida Literária” e “Cultuando as Musas II”.
Segundo o Professor Doutor Sérgio Fonseca Mouteiro, Óscar Ribas contribuiu de forma impar no carácter, cultura, história da literária e pela independência do povo angolano e, por outro lado, como homem de culto da língua portuguesa e da lusofonia.
Considerado fundador da ficção literária angolana, Óscar Ribas iniciou a sua atividade literária ainda estudante do Liceu.
Em toda a produção literária posterior, Óscar Ribas demonstra na verdade uma propensão pouco comum entre os escritores da sua geração e mesmo em gerações posteriores. Revela-se profundamente preocupado com os temas da literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua kimbundu. Destas preocupações resultam a sua bibliografia dos anos 60:
Óscar Ribas, considerado fundador da ficção literária angolana, recebeu vários prémios tais como:
Óscar Ribas em vida, graças ao seu excelente trabalho na literacia nacional e internacional teve vários títulos e homenagens tais como: